Por que Criar um Blog?

Apesar da grande explosão tecnológica do século XX e XXI, as ferramentas demoraram um pouco a chegar efetivamente nas salas de aula, principalmente em cidades como Manaus que, apesar de ser um grande centro industrial, ainda está distante de ser um centro tecnológico referencial. Durante o ensino fundamental e médio, pude presenciar a inserção das tecnologias, de forma lenta, no convívio social entre os alunos e também na metodologia dos professores. E, em ambos os casos, promoveu melhorias no aprendizado e na experiência escolar. É natural que, com o aumento do desenvolvimento tecnológico, haja o aumento do acesso à tecnologia para mais indivíduos e logo chegue nas escolas através dos alunos. Durante o ensino fundamental, o acesso a computadores tornou-se mais viável, através das LAN-HOUSES e com a popularização dos computadores portáteis, o que permitiu uma maior qualidade no desenvolvimento de pesquisas e na elaboração de trabalhos escolares. Principalmente com o surgimento da oferta pública do serviço de buscas Google, em 2004, que é extremamente utilizado hoje por diversos alunos, e os diversos sítios que permitiram a aprendizagem sem a necessidade do professor ou do acesso direto a livros, com informações diretas e resumidas, específicas para cada assunto. Pouco mais tarde, ainda durante o ensino fundamental II, acompanhei a popularização dos celulares e, posteriormente, dos smartphones, permitindo o acesso à internet e acesso a pesquisa em tempo real, além do surgimento das ferramentas de comunicação social que revolucionaram não só a comunicação entre os alunos, mas de toda a sociedade. Pode-se mencionar também a evolução das impressoras residenciais, o aumento das empresas de distribuição de internet banda-larga em Manaus, o surgimento de ferramentas de escrita e apresentação, como o pacote Office da Microsoft, etc.

Todas essas ferramentas alteraram a forma convencional do estudo e forçaram a adaptação das escolas e, principalmente, dos professores ao ministrarem suas aulas. Era perceptível a resistência de alguns, encarando a tecnologia como um inimigo direto – e ainda é possível perceber essa resistência. Mas aos poucos começaram a utilizar as ferramentas disponíveis para aumentar a experiência dos alunos, como apresentações em PowerPoint, vídeos apresentados por meio de projetores de imagem, links compartilhados por e-mail para os alunos, provas impressas sem o cheiro de álcool e na cor violeta – como aquelas impressas em mimeógrafos.

Este Blog objetiva promover ideias para que essa resistência, e distância, entre as gerações seja quebrada.

O Currículo Segundo Pilleti


O conceito atual de currículo exige que as atividades escolares façam parte da experiência do aluno, ou seja, não mais algo extrínseco, mas intrínseco. É necessário que a escola, ao estabelecer o seu plano de ensino, procure meios de interação social e individual, que o indivíduo seja capaz de pensar por si e encontre exemplos práticos, do conhecimento ensinado durante a aula, em sua vida. Pra isso, é necessário trabalhar com o conceito de aprendizagem significativa, entendendo que a absorção do conhecimento não depende somente do indivíduo que está ministrando a aula, mas também das características do aluno, que absorverá as informações e as experiências de acordo com as experiências já vividas por ele. O vídeo a seguir mostra a experiência de professores nas tentativas de aplicação de métodos didáticos que pudessem fazer parte da experiência dos alunos:

Entendendo isso, e analisando a educação pública – que é maioria nos estados brasileiros -, torna-se fácil perceber as dificuldades de aplicação desse currículo: a falta de preparo de alguns professores em saber organizar um plano de aula que atenda a multiculturalidade brasileira, respeitando as diferenças entre os indivíduos, mas oferecendo a mesma qualidade de ensino à todos; a falta de empenho e interesse de alguns professores em se empenhar para colocar em prática essa aprendizagem significativa; a falta de recurso que as escolas públicas brasileiras sofrem, impedindo a evolução das técnicas pedagógicas ou a especialização dos profissionais da educação; o modelo tradicional das escolas, que são resistentes a atividades que permitem a saída dos alunos da sala de aula, impedindo o conhecimento prático dos alunos; a falta de separação adequada dos alunos, principalmente por idade – que já ocorre de maneira teórica, mas não funciona adequadamente na prática das escolas públicas e, principalmente, no interior – assim como a não separação de alunos com necessidades especiais, por falta de vaga em escolas especializadas.
Com a adoção do novo currículo, aumentou-se a complexidade do ensino, assim como sua eficácia. Há a necessidade de que os profissionais da educação não só estejam cientes dessa complexidade, mas capacitem-se para aplicar essas mudanças na prática.


É necessário dedicar-se para entender os princípios básicos da psicologia e psicopedagogia, para entender o modo de pensar de cada aluno em sala de aula, sendo capaz de oferecer um ensino que passe pela experiência do indivíduo.
O empenho no estudo da sociologia, para entender o contexto social do aluno, sua cultura, situação econômica, etc. Entendendo que esses fatores são fundamentais para entender a forma como o indivíduo vê o mundo, portanto, como assimila as suas experiências.
Não involuntariamente, utilizou-se nos parágrafos anteriores as palavras “dedicação” e “empenho”. Apesar das dificuldades claras que o profissional de educação sofre para oferecer um ensino de qualidade no brasil, não se pode retirar a responsabilidade do educador em empenhar-se verdadeiramente para aplicar esse novo conceito curricular. Não é preciso ir longe para perceber diversos professores que, nitidamente, não sentem o prazer do ensino, nem se esforçam para tê-lo, criando antipatias na relação aluno-professor, impedindo o contato pessoal, amistoso e saudável entre ambos, tornando a escola um ambiente de mal-estar, incômodo e desprazer para ambos. Portanto, ainda que se alterem os conceitos do currículo, será necessário a participação efetiva dos profissionais de educação, principalmente professores, para que em prática alcance resultados.
Partindo da perspectiva de que o novo currículo é formado não apenas pelos profissionais da educação, mas necessita da participação efetiva do aluno, a saber, da sua experiência, fica claramente estabelecido que a educação é feita para, e pelo, aluno. Saindo de uma forma educacional mais distante do aluno, como o antigo conceito do currículo, impedindo na evolução da relação aluno-professor, consequentemente, impedindo que o professor entendesse quais as características desse aluno, qual o contexto social, realidade econômica e necessidades especiais, tratando os indivíduos como se fossem todos idênticos, excluindo os diferentes e segregando indivíduos que não conseguem se adaptar ao sistema de educação.
Com a nova perspectiva, entretanto, o aluno toma papel protagonista na educação, que lhe é devido, sendo responsabilidade do educador adaptar o ensino para cada indivíduo, entendendo as suas idiossincrasias, potenciais e capacidades no aprendizado.
Com isso, o aluno só tem a ganhar – se a prática ocorrer como a teoria –, pois permite que o aprendizado seja significativo. Cada indivíduo absorverá a parte do conteúdo que dá sentido às suas vivências, fornecendo uma educação plural, que incentiva o pensamento crítico e o exercício da ética, respeitando as diferenças, permitindo ao aluno ser sujeito ativo.
Outra consequência positiva é a aproximação da relação aluno-professor, permitindo a percepção do professor sobre eventuais dificuldades, traumas, problemas psicológicos ou abusos nas diversas áreas. Intervindo e retirando o indivíduo de situações que prejudiquem, não só no aprendizado escolar, mas no crescimento do indivíduo.

Referências:

Pilleti, Claudino. Didática Geral. 24. ed. São Paulo: Editora Ática, 2004.
Silva, Tomaz Tadeu da. Documento de Identidade. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

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